Wild Atlantic Way: Sul

Nossa viagem pelo trecho sul da Wild Atlantic Way (WAW) foi um pouco diferente da parte norte. Na semana antes de viajar, descobri que o correio irlandês havia lançado, juntamente com os escritórios de turismo do país, um passaporte para a WAW. Nesse passaporte, é possível colecionar carimbos dos 188 pontos demarcados ao longo de todo o caminho! Ainda vou explicar melhor como funciona o passaporte, mas ele acabou virando nosso novo guia para o planejamento dessas viagens.

Como havia mencionado, no trecho norte nós demos atenção somente para os Signature Discovery Points, parando apenas mais algumas vezes pelo caminho. Dessa vez, resolvemos cobrir todos os pontos que pudéssemos, para colecionar o maior numero de carimbos no nosso passaporte. Quer visualizar melhor a rota que fizemos?

A questão é que para visitar cada um dos pontos indicados pela WAW, você acaba se desviando da rota principal constantemente, muitas vezes por mais de 10km, e aí o “vai e volta” fica ainda mais extremo.

Nessa viagem conseguimos 38 carimbos para o nosso passaporte, além de outros três que eu carimbei por engano – sem saber que eram ilhas que não iríamos visitar – logo no inicio da viagem. A maioria dos pontos nos quais deixamos de passar (no total eram 58) foi por falta de atenção para uma placa, por ser uma ilha ou por ser um desvio muito grande em um momento da viagem que não seria possível gastar tanto tempo. Uma grande diferença para o trecho norte, né?

Signature Discovery Points

wawsouth-2

Old Head of Kinsale

Esse foi meu Discovery Point favorito da parte sul. Old Head of Kinsale é famoso por seu campo de golf de destaque mundial, localizado exatamente na parte extrema da pequena península. Acho uma pena, já que isso acaba impedindo nós, pobres mortais, de caminhar até a pontinha. Uma boa ideia pode ser pegar um barco na cidade de Kinsale, que te leva em um tour pelo porto, forte de Charles e por toda a região da Old Head of Kinsale. Mas mesmo se você não tiver tempo para isso, garanto que vai ficar deslumbrado com as paisagens que vai ver do alto.

Mizen Head

Mizen Head foi construído em 1910 para ser uma estação de sinalização, destinada a salvar vidas que eram perdidas na costa rochosa da região. Em 1931, se tornou casa da primeira estação de radio irlandesa. A entrada, que custa €6 por adulto, garante o acesso ao centro de visitantes e a uma ponte que passa sobre um desfiladeiro. Essa rota te leva diretamente à estação, aberta ao publico. Olhe atentamente para tentar avistar baleias-jubarte, focas e pássaros selvagens da região.

Muita atenção ao horário de funcionamento do local para que você não faça como nós que fomos nos orientando pelo sol e esquecemos que aqui só escurece 22h no verão. Consulte aqui os horários de acordo com a época da sua visita.

Dursey Island

Dursey Island é separada do continente por 250m de fortes correntes e o acesso à ilha é feito através do único “bondinho” da Irlanda, construído em 1969. Apesar de habitada (são três pequenas vilas), a ilha não possui lojas, pubs ou restaurantes, então acaba sendo um ótimo lugar para passar algumas horas isolado da civilização. Dursey é um ótimo local para observar a vida selvagem, incluindo espécies raras de pássaros da Sibéria e América, além de baleias e golfinhos.

Importante: Chegue o mais cedo possível (o primeiro horário de saída é 9:30). Cada carrinho leva apenas seis pessoas e a jornada dura 15min (ou seja, são 30min de espera para o bondinho voltar para pegar mais pessoas), sem contar que os locais têm preferência! Cuidado para não perder horas do seu dia somente esperando na fila. Lembre-se também que não há pubs ou restaurantes para almoçar. O trajeto ida e volta custa €8.

Bray Head

O mais importante aqui é a vista para as ilhas Skellig Michael (Patrimônio Histórico da Humanidade pela UNESCO) e Small Skellig. Skellig Michael abriga um mosteiro construído no ano 588, além das cabanas de pedras em que os monges moravam, um cemitério, locais de oração e a Igreja de St. Michael. O mosteiro pode ser acessado subindo mais de 600 degraus em uma escada de mais de 1.000 anos e demonstra perfeitamente as condições em que viviam os monges até deixarem a ilha, no século XXIII. Small Skellig, por sua vez, é famosa por conter mais de 27mil Morus (em inglês, gannets), constituindo a segunda maior colônia de aves marítimas do mundo. Para conhecer mais a respeito da historia das ilhas, você tem duas opções: pegar um barco e ver tudo em primeira mão ou visitar o Skellig Experience Centre no continente.

Pontos de Destaque Extras

Esses são pontos que eu e o Lucas achamos muito válidos de serem destacados. Eles não estão classificados como Signature Discovery Points, mas são lugares incríveis e que ninguém pode deixar passar em branco!

Kerry Cliffs

Dá pra ver nessa foto o tamanho das pessoas que estão naquele mirante, ali em cima? Só assim para ter ideia da dimensão desses desfiladeiros tão comuns aqui na costa da Irlanda. Vocês já conhecem a fama dos Cliffs of Moher, mas garanto que mesmo depois de visitá-lo, você vai continuar se impressionando em lugares como esse e o Downpatrick Head, por exemplo. A entrada custa €4 por pessoa e para chegar aos mirantes você vai fazer uma caminhadinha de 10min (com algumas subidas, mas tudo tranquilo).Lá também tem estacionamento (incluso nesse valor). Para mais informações, entre aqui.

wawsouth-6

Dingle Peninsula

Aqui eu estou roubando um pouquinho e indicando uma península inteira, que foi a última parte da nossa viagem. Praias espetaculares, a maior montanha da Irlanda, golfinhos, fábrica de chocolate, estradas super estreitas na beirada do mar… Não dá praticar muito melhor do que isso. Se você não tiver tempo pra fazer a Wild Atlantic Way inteira, pode ser uma boa opção investir nesse trecho aqui.

wawsouth-9


Não se esqueçam de pesquisar bastante os interesses de vocês antes de montar o roteiro. Nesse trecho sul, há muitas ilhas para visitar, o que demanda um longo tempo de deslocamento de balsa! Não se esqueça de contabilizar tudo isso na hora de montar o seu roteiro final.


Mais posts sobre a Wild Atlantic Way:

limerickirlanda

Tássia Rabelo

Oi! Meu nome é Tássia, tenho 25 anos e sou aquariana. Minha paixão por viajar veio cedo. Meus primeiros passos foram em uma viagem pra praia e ainda criança aprendi que dormir em uma barraca é normal, ouvir idiomas esquisitos é incrível e conhecer gente diferente é melhor ainda! Sou de Belo Horizonte e apaixonada por Minas Gerais e pelo meu Brasil, mas já morei em alguns outros lugares pelo mundo. Adoro fotografar, ler, fazer projetos manuais, cozinhar, assistir seriados, pesquisar sobre coisas aleatórias, me perder no mundo da internet e ouvir podcasts.