JAPÃO: Como planejar a sua viagem

Finalmente começando a looonga série de posts sobre o Japão! E é bom ir logo pelo básico, né? Nesse post vou falar sobre as dúvidas mais frequentes e tudo que vocês precisam saber quando forem organizar a viagem de vocês. O post tá enorme, mas se mesmo assim tiver faltado alguma coisa, me avisem, perguntem, comentem. Vai ser um prazer ajudar qualquer um a conhecer esse país incrível, de verdade!

QUANDO IR?

O Japão tem as quatro estações do ano muito bem demarcadas e a favorita dos turistas costuma ser o início da primavera, na época da floração das cerejeiras. Essa foi minha intenção inicial, mas acabei indo mais pro final da estação e vi só duas cerejeiras floridas em Koyasan, que é um lugar bem mais frio!

O inverno japonês vai de dezembro a fevereiro e o frio é bem intenso! Você corre o risco de pegar neve e se sua intenção é passear bastante, isso pode não ser tão positivo. O inverno pode ser mágico e imagino que os templos devam ficar incríveis nessa paisagem, mas o Japão exige muita caminhada e no frio excessivo isso pode ser complicado!

Depois vem a primavera, de março a maio! Normalmente as cerejeiras florescem do meio de março ao meio de abril, mas a floração dura só uma semaninha! Acredita? Claro que o fenômeno não acontece no Japão todo de uma vez, então no site Japan Guide tem um “Cherry Blossom Forecast” para te ajudar a planejar sua viagem :)

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Depois, até agosto, tem o verão! Dizem por aí que essa estação é meio insuportável por aqui. Faz muito calor (bem ao estilo Brasil, mas com um clima mais úmido)! Acho que seria minha última opção de estação, porque não sou nada fã de caminhar debaixo do sol quente, mas pra quem gosta pode ser uma boa! Tem regiões aqui que parecem ser liiindas, com lagos e hotéis incríveis!

Por fim, o outono, que acontece de setembro a novembro. Se eu voltar ao Japão alguma vez na minha vida, quero que seja nessa estação. Vi fotos e parece ser lindo! Todas as árvores com folhas marronzinhas, combinando com o clima tranquilo dos templos, um frio agradável… Me parece muito mágico! Mesmo!

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Enfim, sempre recomendo viajar em climas mais amenos, como a primavera ou o outono, e pro Japão não seria diferente! Acho legal observar também que as férias dos japoneses (escolas e universidades) são em agosto e setembro, então os pontos turísticos devem ficar mais cheios, além de mais caros.

QUAL É A MOEDA?

Já conseguimos fazer aquela conversão automática quando falamos de dólar, euro ou pesos argentinos, mas sempre fica mais confuso quando não dá só pra dividir ou multiplicar por um número fácil tipo 2,5 ou 3. A moeda japonesa é o iene, em que R$1 é igual a aproximadamente ¥45,90. Complicou?

O truque pra facilitar nossa vida é transformar os ienes em dólares, dividindo por 100. Se uma coisa custa ¥1.000, então isso corresponde a aproximadamente US$10. Entendeu? Funciona muito bem pra nos dar uma noção do preço das coisas sem ter que ficar com a mão na calculadora o tempo todo. Eu consegui trocar ienes em Belo Horizonte antes de ir, mas você tem que ligar pra casa de câmbio antes pra reservar, porque não é tão fácil assim encontrar. E normalmente eles só tem notas de ¥10.000!

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E O IDIOMA?

Acho que todo mundo sabe que no Japão eles falam japonês, né? Se você, assim como eu, não sabe falar nadinha nesse idioma, não se desespere! Eu li em vários sites que é muito difícil viajar pro Japão só com o inglês, mas eu digo com toda certeza que dá pra se virar bem com um sorriso no rosto e sem vergonha nas mímicas! Os japoneses são muito educados e prestativos.

Em Quioto, duas vezes nos ensinaram qual ônibus pegar (e em que ponto pegar!) sem nenhuma palavra de inglês.. Só na escrita, desenho e mímica. Nas estações de trem, era só parar olhando o mapa por um tempo mais longo e vinha um guardinha explicar direitinho a rota que deveríamos fazer. Nas estações e nos pontos turísticos, tem tudo escrito em inglês. Dentro dos ônibus e metrôs, as placas, desenhos e avisos do microfone também são em inglês.

Aprenda que arigato gozaimasu significa “muito obrigado” e use sempre. Eles falam na hora que você chega na loja, na hora de receber o produto pra pagamento, na hora de dar o troco e mais uma vez pra despedir. Tudo acompanhado de uma pequena reverência. Entre no clima!

Minha maior dificuldade em relação ao idioma aconteceu em alguns restaurantes sem cardápio em inglês e sem ninguém que falasse o idioma. Foram três casos, que eu me lembre: no primeiro deles, a moça foi de volta pro balcão com meu cardápio e traduziu uma dezena de palavras em “meat”, “pasta” e “rice”. Escolhi assim, meio no escuro. Da segunda, ela veio com um tablet até a mesa, abriu o Google Translator e falou um risoto era “cream” e o outro “tomato”. No último caso, apontamos pra uma foto e torcemos pra vir uma coisa boa! Essa foi a única vez que não deu muito certo… Mas nada traumático! hahaha Temos que desligar mesmo, aceitar que não falamos o idioma e não nos frustrar com isso. Dá pra viajar tranquilo!

E A ALIMENTAÇÃO?

Vou falar pra vocês que eu já fui muito fresca pra comer. Falava que não gostava de uma coisa sem nem experimentar e se não gostava realmente de algo, não tentava nunca nenhum prato com aquilo. Isso tem mudado bastante pra mim, então consegui viver super tranquila no Japão! Sobre os sushis, sashimis e outras variações do que conhecemos de comida japonesa aqui no Brasil, eu já digo que nunca gostei. Mas aí é que tá o negócio de adaptação: antes de ir, comecei a experimentar mais variações e descobri o que eu realmente não gostava na comida e o que era suportável ou até mesmo gostoso! Já que eu tava indo pro Japão, tinha que aprender a comer peixe cru. Certo? Errado.

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A comida japonesa vai muito (muito mesmo) além do que conhecemos aqui no Brasil. A base alimentar deles são os peixes, frutos do mar e arroz, acompanhados de muita sopa e chá verde! Também encontrei por lá vários pratos com bacon (massas e risotos), variações de hamburguer (eles comem como se fosse bife, acompanhado de arroz, por exemplo) e omeletes. Tem muitas opções de massas também, em quase todo restaurante! E não é aquele yakisoba não, são massas com molho cremoso de tomate e creme de leite, com cogumelos ou camarão, por exemplo. Não tive dificuldade nenhuma pra me alimentar e comi coisas deliciosas!

Comi também peixe cru, três vezes. Uma delas foi às sete horas da manhã, no mercado de peixes de Tsukiji. Achei delicioso, mesmo! O sabor é bem diferente do que aqui no Brasil, já conto pra vocês. É tudo fresquinho e delicioso. Se você gostar e tiver um fogão a disposição, vai enlouquecer com a variedade de peixes e frutos do mar disponíveis frescos, sem congelamento, no supermercado. É de babar!

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QUANTO CUSTA?

Passagem – Aqui do Brasil, as opções mais comuns para chegarmos ao Japão são duas: passando pelos Estados Unidos ou pelos Emirados Árabes. São as opções mais em conta e menos demoradas. Meu voo foi assim: Belo Horizonte – Miami – Los Angeles – Tóquio, e a volta pelo mesmo trajeto. A minha passagem, comprada com pouca antecedência (três meses) custou R$3.600, com uma parada de dois dias em Miami. Vi várias promoções para Tóquio nos últimos tempos, saindo de São Paulo, por R$2.500. Impressionante, né? Eu tinha a impressão de que precisávamos de uns R$6.000 para viajar pro outro lado do mundo! Mas as coisas estão ficando mais fáceis pra gente (ainda bem!).

Hotel Em Tóquio me hospedei no apartamento da minha prima, então infelizmente não tenho muita referência para os preços na cidade. Em Quioto e Osaka, fiquei em hotéis que custaram ¥3.000 (R$ 65) a noite por pessoa. Em Koyasan ficamos em um mosteiro budista (vou contar melhor sobre a experiência em outro post) e foi a hospedagem mais cara: a noite custou ¥25.000 para nós duas (R$ 540) e valeu cada centavo.

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Alimentação – Achei os custos de alimentação até bem tranquilos! Raramente gastei mais de ¥1.000 (R$21) em um almoço ou jantar. Acho que ajuda o fato de que 90% dos restaurantes oferecem água de graça, o que me basta, então economizo sempre na bebida. As vezes que minha refeição ultrapassaram esse valor foram em restaurantes especiais, alguns mais tradicionais e outro em que inventei de comer carne vermelha, sempre um absurdo aqui no Japão.

Transporte – Em contrapartida à alimentação, achei um pouco salgado o preço do metrô e ônibus. O metrô varia de acordo com a estação em que você vai parar, tanto em Tóquio quanto em Osaka, mas a passagem custa uma média de ¥240 (R$ 5,20). Em Quioto a passagem do ônibus tem o preço fixo de ¥230 (R$5), mas você pode comprar o passe diário por ¥500 (R$10,80). O metrô também tem passe diário e em Tóquio custa ¥710 (R$15,40).

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COMO VIAJAR DENTRO DO JAPÃO?

A forma mais fácil e prática para os estrangeiros viajarem dentro do país é usando as linhas de trem disponíveis! Elas cobrem todo o país, as ofertas de trens são muitas e é bem confortável! Enquanto uma viagem de ônibus de Quioto para Tóquio leva sete horas, de trem você gasta 2h40min. Economiza um bom tempo, né? Li em muitos blogs a indicação para comprar o Japan Rail Pass, que permite o uso ilimitado das linhas de trem do Japan Railways Group (JR), uma das principais empresas ferroviárias japonesas. O passe tem três opções de duração: 7, 14 ou 21 dias, podendo ser em classe normal (ordinary) ou premium (green). Dizem que também existem algumas opções de ônibus que se pode pegar com o passe, mas eu não procurei saber. Eu estava meio desconfiada se o passe valeria mesmo à pena, porque é bem caro, mas o meu foi muitíssimo bem aproveitado!

Em Tóquio, a JR tem uma linha de trem circular que simplesmente passa por todos os principais bairros pela cidade! Fiz todas as viagens usando trens bala com o passe, andei em Osaka também usando a JR Line… Enfim! Valeu muito a pena.  Só para vocês terem uma ideia, paguei cerca de USD 500 no meu passe de 21 dias, sendo que somente as passagens Tóquio – Osaka e Quioto – Tóquio já atingiam quase a metade desse valor! E ainda viajei para Kobe, Nara, Nikko, fui para a Disney, Universal e usei muito a Yamanote Line em Tóquio, tudo com o JR Pass!

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O site do JR Pass tem todas as informações de preços e uma observação muito importante a se fazer é que o passe só é válido para turistas e que tem que ser comprado antes da viagem! Não é possível comprar o passe no Japão. Eu fiz a compra através da internet enviando um email para a Gema Turismo, recomendada no site do JR Pass, porque não encontrei agências em BH que façam isso. Foi super tranquilo e recebi em casa o voucher para trocar pelo passe físico no aeroporto de Narita, em Tóquio.

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E aí, tem mais alguma coisa que vocês querem saber? Nos próximos posts vou falar detalhadamente sobre cada cidade e programa. Tem post sobre os parques Disney Sea e Universal, a nossa noite no mosteiro budista, os templos maravilhosos de Quioto e muito mais! Espero que vocês gostem!

Tássia Rabelo

Oi! Meu nome é Tássia, tenho 25 anos e sou aquariana. Minha paixão por viajar veio cedo. Meus primeiros passos foram em uma viagem pra praia e ainda criança aprendi que dormir em uma barraca é normal, ouvir idiomas esquisitos é incrível e conhecer gente diferente é melhor ainda! Sou de Belo Horizonte e apaixonada por Minas Gerais e pelo meu Brasil, mas já morei em alguns outros lugares pelo mundo. Adoro fotografar, ler, fazer projetos manuais, cozinhar, assistir seriados, pesquisar sobre coisas aleatórias, me perder no mundo da internet e ouvir podcasts.

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